Professor de Santos desenvolve modelos 3D para aprendizado de crianças com deficiência visual

Projeto foi selecionado para evento de Inovação Cidadã na Argentina,

 

Um projeto que ajuda crianças com algum tipo de deficiência visual a estudarem e a terem melhor aproveitamento escolar por meio de modelos 3D foi selecionado para um evento de inovação cidadã, na Argentina. O autor do trabalho é o professor e pesquisador Renato Frosch, que atua no Centro Universitário São Judas Tadeu – Campus Unimonte e na Universidade São Judas, em São Paulo.

De concorrentes de todo o mundo, a proposta de Frosch ficou entre as 10 selecionadas. A partir dos desafios da aprendizagem dessas crianças e outras experiências formativas o docente construiu o projeto “Utilização de fabricação digital com modelos 3D para apoio pedagógico a crianças com deficiência visual”.

Com a ajuda da tecnologia de impressão 3D, Renato já reproduziu mapas, fontes Braille, gráficos, peças de rotina, como uma bacia sanitária, e outros elementos para que os alunos entendessem melhor com outros recursos pedagógicos, já que para eles recursos apenas visuais não serviriam.

impressora 3D imprimindo letras com textura

 

Algumas particularidades foram encontradas neste projeto: materiais excessivamente pequenos não ressaltam detalhes de suas partes. O exagero no tamanho pode prejudicar a apreensão da totalidade”, destaca Renato.

Para esse público, o material precisa de diferentes relevos e texturas, assim como contrastes do tipo, liso/áspero e fino/espesso, que permitem distinções adequadas. Deve ter ainda sua representação tão exata quanto possível do modelo original.

 

Apresentação docente

O projeto foi apresentado no ANPED 2018 – um encontro da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação, realizado neste mês em Campinas, para professores e pesquisadores da área de Educação. Segundo Frosch, “o reconhecimento dos outros professores foi muito importante. Tenho convicção de que outros convites para apresentação e expansão do projeto surgirão a partir deste encontro. Acabei conhecendo um grupo de professores com deficiência visual, que me convidou para participar dos encontros mensais deles. Hoje estão espalhados pelo país inteiro, e a nossa ideia é começar a construir juntos mecanismos de aprendizagem para estudantes de todas as idades.”

 

Aprovação

Além de ser selecionado para o evento na Argentina, que acontecerá em outubro, o trabalho passou pelo crivo de alunos com algum tipo de deficiência visual, que apontaram algumas melhorias a serem feitas.

O projeto foi iniciado a partir da pesquisa acadêmica do professor e produção de material na Unisociesc. Teve desenvolvimento, testes e adequações com educadores no SESC-Santos (Espaço Tecnologia e Artes) e diversas aplicações com professores e crianças junto à prefeitura do ABC.

Renato explica ainda que os modelos 3D podem reproduzir a forma de obras de arte, como esculturas. “Um dos objetivos estruturantes é que esse projeto seja publicado e aberto para que outras pessoas e instituições em caráter mundial tenham acesso, para aprendizagem oficial e não-oficial”. No projeto em andamento, Renato busca captar recursos por meio de vaquinha virtual para aquisição de duas impressoras 3d, uma delas ficará no Brasil para divulgação do método à professores de escolas públicas e outra irá com ele para Argentina. A campanha está divulgada abaixo.

Ele diz, ainda, que com os laboratórios makers – que possuem as impressoras 3D – cada vez mais acessíveis, até um pai pode criar algo para seu filho. Em São Paulo, por exemplo, já há laboratórios públicos do tipo. Em Santos, a São Judas – Campus Unimonte possui laboratórios makers que podem ser utilizados pela comunidade em datas específicas.

 

Conheça o projeto:

Clique aqui para visitar a página do projeto no Catarse.