Afinal, a reforma do ensino médio irá afetar a rede particular?

Toda mudança traz consigo algumas dificuldades, que nem sempre são superadas facilmente. Essa parece ser a tônica da reforma do ensino médio, proposta da gestão de Michel Temer que ainda vai gerar muitas discussões, tanto no plano da validade moral e ética, quanto no funcionamento e na prática. 

O certo é que haverá uma flexibilização no currículo, apesar de algumas obrigatoriedades permanecerem. Essa flexibilização irá permitir uma adequação do ensino às escolhas do estudante, o que provavelmente impactará na rede particular de ensino, visto que muitas disciplinas serão facultadas. 

A partir da reforma, o novo ensino médio deverá seguir o que diz a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que é um documento que visa sistematizar o ensino no país. A ideia é direcionar o futuro profissional do estudante já no ensino médio. 

Ainda não foi definido quando a reforma do ensino médio entrará em vigor. A princípio, a partir da votação da medida provisória e da aprovação da BNCC, já poderia haver adaptações. No entanto, apenas em 2018 as rede pública e particular estariam obrigadas a seguir as novas diretrizes. Esse prazo poderá se estender para 2019.

Neste texto, vamos analisar alguns dos principais impactos que a reforma do ensino médio trará para a rede particular de ensino, mesmo antes da criação da Base Nacional Comum Curricular.

Impactos da reforma do Ensino Médio na rede particular de ensino

Assim como toda a rede pública de ensino, a rede privada também é obrigada a seguir as diretrizes da reforma, visto que o conteúdo programático passa pelo crivo do Ministério da Educação e Ensino (MEC). Contudo, apesar de o MEC ser o responsável pela sistematização e fiscalização do ensino no Brasil, as instituições tendem a ter maior autonomia em relação às disciplinas oferecidas. 

Com as mudanças, apenas Português e Matemática serão matérias obrigatórias nos três anos do novo ensino médio. O Inglês será o idioma estrangeiro obrigatório a partir da reforma, mas com carga horária menor do que as disciplinas citadas acima. Outros idiomas serão opcionais e podem variar de acordo com a unidade de ensino. 

Conteúdo programático e escolhas das disciplinas

Além de Matemática, Português e Inglês, outros componentes serão decididos como áreas comuns de ensino, seja na rede pública, seja na particular. A proposta visa estipular um percentual de 50% de carga horária obrigatória e pré-definida e 50% a ser escolhida pelo estudante, desde que seja oferecida pela instituição de ensino na qual ele está matriculado. 

As áreas flexíveis são: Linguagens, Matemáticas, Ciências da Natureza, Ciências Humanas e Formação técnica e profissional. Com exceção da última área, as outras já são utilizadas na divisão das provas do Enem. 

Essa mudança poderá afetar a rede particular principalmente porque implicará em maiores investimentos em estrutura e profissionais habilitados para lecionar nesse novo conceito. Por outro lado, confere à instituição maior poder de barganha ao oferecer diferenciação em determinadas áreas.

Nesse cenário, existe uma grande possibilidade de qualificar ainda mais o ensino privado e manter no mercado apenas as instituições mais preparadas para oferecer ao aluno aquilo que ele deseja para seu futuro profissional. 

Um dos objetivos dessa reforma é deixar o ensino menos engessado, além de oferecer ao jovem um atrativo maior para evitar a evasão escolar. Sendo assim, a reforme pode garantir um diferencial para as escolas particulares que se prepararem para receber essa demanda. 

Carga horária

A carga horária, que hoje é de 800 horas anuais no modelo parcial, deverá subir para 1400 horas anuais no modelo integral.

Muitas escolas particulares já oferecem a possibilidade de ensino integral, mas com uma grade opcional no contraturno. Com a reforma do ensino médio, vai ser preciso se adequar às áreas definidas pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e optar por áreas de maior procura para suprir algumas demandas. 

Impacto da reforma do Ensino Médio na elaboração dos vestibulares

Assim como o Enem, os vestibulares são elaborados de acordo com os conhecimentos adquiridos durante o ensino médio. Como não haverá uma padronização por disciplina, mas por área de conhecimento, é preciso que as bancas examinadoras do Enem e dos principais vestibulares repensem a formulação das provas.

O Enem já trabalha com um sistema de avaliação dividido por áreas, mas com perguntas bem direcionadas para matérias específicas, as quais são obrigatórias até o momento, ou seja, antes das mudanças.

A partir da reforma do ensino médio, como algumas disciplinas se tornarão facultativas, será impossível direcionar questões para essas matérias, pois corre-se o risco de o aluno não ter bagagem suficiente sobre determinados assuntos. 

Assim sendo, haverá mudanças importantes na maneira como o vestibular será encarado. Essas mudanças nas provas e no sistema de avaliação provavelmente irão impactar diretamente nas decisões da rede particular de ensino. Pode-se dizer, então, que dois elementos da reforma irão nortear o ensino particular: a BNCC e os grandes exames que garantem ao aluno uma vaga na universidade, como o ENEM e os grandes vestibulares.

É provável que a rede particular de ensino foque em disciplinas que façam parte desses principais exames, sempre em função das grandes universidades, sejam elas públicas ou privadas. A única exceção será para o ensino técnico e profissionalizante, pois essa área de conhecimento não visa o vestibular, mas conhecimentos específicos para atuar no mercado de trabalho. 

Por enquanto, as regras ainda não estão claras, e nem sequer foram estabelecidas para a rede pública de ensino. Assim, os responsáveis pela elaboração da grade curricular nas escolas devem ficar atentos às novas decisões.

A reforma do ensino médio irá requerer adequações que devem acontecer gradativamente, de acordo com discussões e tomada de decisões, especialmente a partir da aprovação da BNCC. Afinal, é essa sistematização que vai ditar o rumo que o novo ensino médio vai tomar. Até lá, apesar de algumas definições que surgiram após a aprovação da Medida Provisória, a maioria ainda é especulação. 

Esse é um assunto que ainda vai gerar muitas discussões, mas acompanhar o andamento é muito importante, tanto para o estudante, como para os responsáveis pelo conteúdo programático nas redes de ensino. 

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